A Cura pela literatura

August 5, 2015

 

 

Eu já disse mais de uma vez por aí que acredito piamente na cura pela literatura. Já até confabulei com uma amiga da gente abrir uma empresa que indique livros para momentos/problemas específicos. A verdade é que o livro certo na hora certa costuma acontecer acidentalmente - eles te acham. Alguém coloca na sua mão sem saber muito bem por que, mas com uma vaga ideia de que você vai gostar. Você entra numa livraria e não consgue parar de encarar aquela capa e aquele título. Alguém posta um trecho nas redes sociais e o seu coração acelera - acontece. 

 

Mas também acontece assim: você lê alguns textos de uma mina na internet, gosta, se identifica e aí resolve mandar um email abrindo o coração e pedindo uma sugestão de leitura. Aconteceu comigo - hoje. Hoje eu fiz o primeiro atendimento do meu consultório fictício de cura pela literatura. Estou aqui desconcertada. Não que eu não acredite que funciona, mas sei lá - ainda me impacta muito essa confirmação de que o que eu escrevo ecoa por aí. Não foi o primeiro email de um desconhecido que recebi, mas foi diferente. Essa pessoa pediu a minha ajuda. 

 

Difícil tentar explicar que quem me ajuda é ela. Que aqui deste lado, ansiosa com a vida e com as contas, alguém vê num email desses a confirmação de que tudo está caminhando, de que as escolhas foram feitas com coragem e com coração, e que portanto uma hora tudo se ajusta. Receitei Kafka à beira mar, do Murakami, por mil motivos, mas principalmente por conta deste trecho:

 

Sometimes fate is like a small sandstorm that keeps changing directions. You change direction but the sandstorm chases you. You turn again, but the storm adjusts. Over and over you play this out, like some ominous dance with death just before dawn. Why? Because this storm isn't something that blew in from far away, something that has nothing to do with you. This storm is you. Something inside of you. So all you can do is give in to it, step right inside the storm, closing your eyes and plugging up your ears so the sand doesn't get in, and walk through it, step by step. There's no sun there, no moon, no direction, no sense of time. Just fine white sand swirling up into the sky like pulverized bones. That's the kind of sandstorm you need to imagine.

An you really will have to make it through that violent, metaphysical, symbolic storm. No matter how metaphysical or symbolic it might be, make no mistake about it: it will cut through flesh like a thousand razor blades. People will bleed there, and you will bleed too. Hot, red blood. You'll catch that blood in your hands, your own blood and the blood of others.

And once the storm is over you won't remember how you made it through, how you managed to survive. You won't even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won't be the same person who walked in. That's what this storm's all about.” 

 

 

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