Still the same, but different

June 18, 2016

 



Durante muito tempo, nos meus momentos de divagação e busca por sentido na vida, eu flutuei entre dois extremos: ou achava que o segredo era permanecer fiel a mim e àquela essência que nasce com a gente, ou achava que a boa era buscar mudar – de hábitos e de opiniões – para evoluir. Se você parar pra reparar vai perceber que geralmente as pessoas (e as frases motivacionais de efeito rápido) pregam sempre uma coisa ou outra: “não se esqueça nunca de quem você é”, “seja você mesmo e fodasse o resto” contrastam com "quem não evolui não vive", "mudar de opinião é um direito e uma prerrogativa" – e assim vai.

 

Isso procede tanto que eu tenho uma tatuagem para cada modus operandi descrito acima: o símbolo das Deathly Hollows de Harry Potter, que (secretamente) pra mim significa um trechinho de uma música do Neon Trees que diz que “love will heal if you stay true to the dreams of your youth”; e a frase “change your heart”, daquela música do Beck que toca em Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

 

Há histórias de vida que justificam ambas essas estratégias e, em dados momentos, cada uma delas é muito sedutora. Tendemos a usar a primeira quando uma de nossas escolhas prova ser a escolha errada, e aí é reconfortante mandar tudo pra putaqueopariu e se recolher às velhas tradições, rituais, família e amigos antigos. E lançamos a segunda quando estamos nos sentindo impetuosos, corajosos e temos certeza que vamos dominar o mundo. Pela minha experiência, estamos mesmo é sempre trocando uma pela outra, enquanto o verdadeiro segredo na real é outro, aquele eterno clichê: equilíbrio.

 

Parando pra pensar agora que estou na análise, reparo que vivo uma eterna tentativa de evoluir e mudar ao mesmo tempo em que vasculho a memória e o passado por indícios de vontades e comportamentos “puros”, ainda não manchados pelas vaidades e desejos pequenos da vida adulta. Em tempos de retorno de saturno e crise dos trinta, oscilo entre querer mudar tudo e não querer mudar nada, entre a Luiza que queria traduzir e escrever romances e esta aqui que ainda gosta do que gostava, mas que é também apaixonada por tecnologia, mídias sociais e projetos híbridos.  Em busca do equilíbrio, tenho tentado de tudo. E a resposta torna a aparecer alta e clara: uma coisa você escolheu certo. Essa coisa foi letras.

 

Surtei, parei tudo por alguns meses, me analisei, fiz curso de branding, estou num job que me leva do céu ao inferno em menos de 10 segundos pelo menos duas vezes por hora, ou seja – estou aceitando desafios profissionais variados e ciscando em vários canteiros. E nada ainda me realizou mais do que os dois anos de mestrado, mais do que botar o ponto final naquela dissertação, mais que editar o livro da Paula.

 

Então é simples, né? “Volta pra editora, Luiza!”. Não é isso. “Entra no doutorado, Luiza!” Não, também não é isso. A hora é de sair da caixinha mesmo. De usar a estratégia 2 pra depois voltar pra 1, quem sabe. De perder o medinho, porque esse medinho é escroto e te poda todas as possíveis asinhas.

 

Still, como prova de que a resposta é and sempre será literatura, eis o que me chegou de presente ontem, pela talentosa e querida Anelise Freitas, que lá em 2014 já tinha me enchido o coração de alegria ao me encontrar através da minha dissertação e dizer que os meus escritos estavam ajudando na pesquisa dela:

 

O POEMA #08

 

você

escrevendo com outro

nome e eu

clicando no about

 

você

não dorme há

duas semanas

desde que eu te conheci

dream is destiny

 

teus

olhos caídos em novembro

e a boca carnal

e vermelha

e aberta

e o cabelo trançado

 

her

friends e ela;

gosta tanto de poema

e misturar línguas

e eu também

 

[Anelise Freitas]

 

Ao fim e ao cabo, resta sempre uma citação de Waking Life: “The idea is to remain in a state of constant departure while always arriving.” <3

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