Questões de produção, parte 1

August 15, 2016

To inventando essa história ou a gente se encontrou numa conexão naquele aeroporto distante em BH e andou uns dois quilômetro ao lado da maior fila de táxi que eu já vi na vida pra tomar duas cervejas no boteco mais deprimente que já houve? Isso rolou, não rolou? A gente curtia uns botecos bem sujos. 


As cartinhas escaneadas que você me mandou outro dia me deixaram meio zonza. Estou naquela fase de começar a esquecer umas coisas da “baixa” juventude. Outro dia contei numa mesa de bar que tinha escrito trabalhinhos de geografia à mão, que tinha pesquisado coisas na Barsa, e vi uns jovens se espantarem de fato. O pior é que esses jovens têm idade pra estar na rua bebendo comigo. Na real, o pior pior é que não existe nada que eu ache mais brega do que gente jovem falando "do passado" nesse tom meio melancólico.

 

De qualquer forma, estou esquecendo. Já quase não consigo mais entender a minha própria letra. Não tenho paciência de desenhar os símbolos. Perco horas pensando em como essa transição do analógico pro digital define a minha geração, e se de repente não seria melhor mesmo não saber...


***


Nesta cena atual estamos no pé sujo oficial da produção e alguém tira uma foto minha que é tão 2004. Ignoro os presentes enquanto passo uma ideia "incrível" prum caderninho. O iPhone está morto. Eu estou adolescente, vintage. Pseudocult – é o que teriam dito no início dos nossos anos 10. Quem sai na foto é uma Luiza que é muito Luiza – embriagada, falante, despreocupada. Eu me reconheço imediatamente, um fotão, já sei até a legenda pro post. 


Mas há uma segunda foto, tirada semanas antes, por outro fotógrafo sentado à mesa. Essa que eu quase não postei. Essa na qual não me reconheço. Passei uns dois dias encarando e tentando entender a razão da minha antipatia. 


Estava com cara de trinta, foi a resposta que caiu arrastando tudo pelo caminho um tempo depois. Mandei pra minha mãe pra obter confirmação – é o que eu faço. Aos 30, ainda, relaxa que estou analisando. E dona Gláucia identificou também, a cara de trinta. 


Muda tudo e não muda nada, sempre. E segue firme e forte a minha sorte nos encontros. 

 

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