Tudo aquilo que eu queria te dizer sobre “Me chame pelo seu nome”

Existe um cheiro. Um cheiro raro aqui no Rio e muito comum na Aldeia, onde fica a casa de praia da minha família, no Espírito Santo. É cheiro de mato com praia naquela última gotinha de sol – que eu chamaria de crepúsculo se o drama teen não tivesse estragado a palavra pra sempre. Para que o cheiro seja exato, precisa uma cigarra estar cantando ao fundo e o meu cabelo estar molhado. É o cheiro que eu penso que tem a vila no norte da Itália onde se passa “Me chame pelo seu nome”. É o cheiro de todas as minhas primeiras vezes e é o cheiro que eu sei que vai atormentar o personagem do Elio pro resto da vida dele. Hoje eu senti esse cheiro e foi o que finalmente me convenceu a escrever sobre o f

Sobre Ibeyi no Circo e por que eu prefiro assistir a shows sozinha

Não estávamos nem na metade do desconcertante show das irmãs Lisa e Naomi quando, numa fuga para o banheiro, finalmente bateu: podemos adicionar “shows” à extensa lista de coisas que eu prefiro fazer sozinha. Ir ao cinema e viajar também constam. Culpemos minha mãe por só ter tido uma filha, culpemos os astros pela conjuntura sol em peixes, lua em leão, vênus em aquário, culpemos o patriarcado por me fazer sentir coisas conflitantes quando sou abraçada pelo meu parceiro em público. Enquanto eu fazia a minha já tradicional migração da pista para a arquibancada do Circo (gosto de dividir o show nessas duas perspectivas) e me culpava por ter largado o namorado pelo caminho, lembrei que havíamos

foto: Nicolas Soares 

Graduada em tradução e mestre em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Desenvolve conteúdo escrito para absolutamente qualquer coisa, traduz (do e para o inglês), prepara romances, sugere livros para momentos difíceis, casa pessoas e o que mais você estiver precisando. 

  • Facebook - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Pinterest - Black Circle
Por assunto
Arquivo